Segunda-feira, Outubro 10, 2005
Segunda-feira, Outubro 03, 2005
Desafio
Gostava de perceber como seriam capazes de resistir a um periodo de abstinência. Nada melhor que um blog de queimados para lançar o total contra-senso.
Eu sei que isto parece não fazer sentido à primeira vista, mas pensando que, sem céu não há inferno, e sem mal não há bem... queria compreender como é que este bando de queimados com quem tento comunicar agora, se comprometeria a passar um período de tempo sem qualquer tipo de consumo, seja ele qual fosse. Alcóol, nicotina, haxixe, marijuana, cafeina, valium, cocaina, prozac, aspirinas, e todas as outras que tomamos como habitos de dia a dia e possam ser considerados vícios.
Será que alguém algum dia pôs no pensamento as causas das nossas auto-desculpas para continuar a consumi-las? Não, eu não vou deixar de fumar ganzas porque umas de vez em quando não fazem mal nenhum e o pessoal até fica mais alegre. Não, eu não vou deixar de fumar tabaco, porque afinal de contas um cafezito a seguir ao almoço com um cigarrinho a acompanhar é sempre agradavel. Não, não vou deixar de beber os meus moscateis à sexta-feira porque o vinho é uma dádiva de deus e tenho que aproveitar enquanto tenho figado.
Sendo eu um claro defensor de todas estas desculpas esfarrapadas, queria assim perceber qual o limite para a racionalidade disto tudo. Quando deixamos de beber ou fumar por gostos e passamos a fazê-lo por habitos ou em última instância... por vício.
A razão pela qual escrevo isto é por perceber que a maior parte dos meus amigos, e eu incluído, não sermos capazes de resistir a tentações deste tipo. E deixo aqui claramente explicito que poucos são aqueles que durante uma semana inteira recusam charutos diariamente. Pois diz-se que não causa dependência, mas será isso verdade? Tabaco? inpensável deixar de fumar. Beber? Felizmente nenhum tem o alcoolismo como hobbie, e aqui surge a excessão à regra.
A minha motivação para este desafio, prende-se com o facto de me aperceber que a maior parte das vezes estamos a adormecer a nossa relação com o nosso mundo exterior, estamos a ficar dormentes ao que nos rodeia, e não nos lembramos que somos capazes de conseguir tirar o sumo da vida sem as muletas do costume. A minha luta não é contra a droga, nem sequer considero isto uma luta, mas sim uma redescoberta dos prazeres "naturais" da vida, porque convém variar e tentar manter-me "inqueimado".
Domingo, Outubro 02, 2005
Domingo de manhã
Domingo de manhã é sempre aquele momento em que menos gosto de acordar. Já sei que além de acordar ou com dores de cabeça ou com uns brutais besugos oculares, vou ficar à deriva, como uma barata tonta perdida numa casa nova.
Não sei porque é que isto acontece. Provavelmente a resposta mais óbvia que receberia neste ponto é que acordo de ressaca. Eu, contudo, tenho outra teoria: sou uma barata tonta ao Domingo devido a uma construção cultural e não a um fenómeno material.
Vou tentar desenvolver um pouco esta ideia... ora, o Domingo foi instaurado pelos Cristãos como o Dia do Senhor. Domingo, originário do latim Dies Dominica, significa "Dia do Senhor". Neste dia é suposto, de acordo com a Wikipedia e com a tradição Católica, frequentar a Igreja e descansar. Quanto à segunda parte não tenho qualquer problema (ainda que seja habitado por alguns bichos carpinteiros que não param nem ao Domingo). O meu problema de "barata tonta ao Domingo de manhã" surge porque neste local do espaço, tenho que atravessar um momento temporal que não faz parte do meu calendário ateu.
É que a esta hora, há poucas coisas para fazer. Quem não está na Igreja, está a preparar o almoço de família. Quem não está a preparar o almoço de família está a dormir. Mas quem não vai à Igreja, não ficou com a responsabilidade de preparar o almoço de família ou acordou mais cedo, encontra-se num vazio. Daí a barata tonta. Face a isto, não posso deixar de discordar com as teorias dos efeitos pós-depressivos decorrentes de uma carcomice.
Mais a mais, esta reflexão leva-me a concluir que a Igreja não quer que as pessoas se carcomam ao Sábado. Isto porque Deus (e mais uma vez de acordo com a Wikipedia), afirmou que o dia sagrado de descanso seria o Sabbath, desde o pôr-do-sol de Sexta-feira até ao pôr-do-sol de Sábado. Ou seja, se é descanso, não há cá carcomices. Então mas se não podemos trabalhar carcomidos, como é que se pode evitar que o pessoal não se carcoma nos dias de descanso? Fácil, com um acto de fé no dia a seguir, o dia em que deveríamos ressacar, colectivamente.
Só que o colectivo foi para a Igreja. Deus, o Grande Irmão, sempre com pelo menos um olho em nós. Somos os marginais, porque nos carcomemos em vez de nos benzermos.
La cucaracha, la cucaracha
Ya no puede caminar
Porque no tiene, porque le falta
Marijuana que fumar!
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Carcomices Culturais


Assim nasce a obra "Carcomice Cultural", pela terceira tentativa, aos dezasseis minutos das doze horas, aos vinte e seis dias do mês de Setembro do presente ano de dois mil e cinco.
No alargamento de um mail de grupo para o exterior e um público mais alargado surge agora um reunir de pensamentos, ideias e histórias de um grupo que se reúne desde os mais recôndidos tempos de escola, das saias rodadas e suspensórios, dos Amigos de Gaspar, passando pelo Dartacão até ao Canecão!
"Livros, Música, Arte, Politica, Amor ou até Religião, poderiam ser tópicos bastante interessantes. Acho que acaba por ser uma proposta um pouco mais dinâmica, apelando um pouco mais à interacção e ao exercício mental. Para além das enormes vantagens terapeuticas a nível psicológico." By L.F.F.
ass: autumn leaf





